william carlos williams

Outubro 20, 2011 § Deixe um comentário

um viva à deriva!

lendo os poemas completos de robert creeley passei por um poema que citava uma linha do wcw que me levou ao dito poema citado que me levou ao impulso gratuito de traduzi-lo que me traz ao blogue antes de qualquer estimativa.

com o poema, é claro.

Uma Canção de Amor
(william carlos williams)

 O que é que tenho pra dizer
quando nos encontrarmos?
Mas –
Aqui estou eu pensando em você.

A mancha do amor
Recobre o mundo.
Amarela amarela,
Ela carcome as folhas,
Lambuza de açafrão
Os córneos galhos que pendem
Pesados
Contra um suave céu de púrpura.

Não há luz –
Só uma mancha melada
Que pinga de folha em folha
De membro em membro
E estraga as cores
Do mundo inteiro.

Estou sozinho.
O peso do amor
Me fez boiar
Até a cabeça
Bater contra o céu.

Veja!
Meu cabelo pinga de néctar –
Passarinhos o levam
Em suas asas negras.
Veja enfim
Meus braços minhas mãos
Aqui ociosos.

Como posso dizer
Se ainda vou te amar
Como amo agora?

(trad. Guilherme Gontijo Flores)

A Love Song

What have I to say to you
When we shall meet?
Yet—
I lie here thinking of you.

The stain of love
Is upon the world.
Yellow, yellow, yellow,
It eats into the leaves,
Smears with saffron
The horned branches that lean
Heavily
Against a smooth purple sky.

There is no light—
Only a honey-thick stain
That drips from leaf to leaf
And limb to limb
Spoiling the colours
Of the whole world.

I am alone.
The weight of love
Has buoyed me up
Till my head
Knocks against the sky.

See me!
My hair is dripping with nectar—
Starlings carry it
On their black wings.
See, at last
My arms and my hands
Are lying idle.

How can I tell
If I shall ever love you again
As I do now?

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